.:: Não é Bíblico ::.


• Quando perguntamos aos católicos praticantes, conhecedores de suas doutrinas, se eles crêem na Bíblia como a Palavra de Deus, é comum ouvirmos um exclamativo sim. Mas ao questionarmos em que textos da Bíblia se ensinam a veneração das imagens, o culto à Maria, com o uso de títulos de Rainha dos Céus, Medianeira, Advogada, etc, o uso de velas com oração aos mortos, a crença num purgatório, bem como num Papa infalível, a resposta dada é: Não está na Bíblia, mas na Tradição Apostólica. O que seria esta Tradição? Teria ela respaldo bíblico? Compreender esse assunto é de suma importância para evangelizarmos católicos cativos ao sistema romano herético, e sermos instrumentos do Espírito Santo para evangelizarmos tais pessoas.

• Questionando a Tradição

• Jesus Cristo disse a seu Pai em oração: “A tua Palavra é a verdade.” (João 17:17) A Palavra de Deus já existia em partes nos dias de Jesus, que era o cânon judaico de livros inspirados por Deus. E como Deus Jesus sabia que sua história seria relatada também em livros inspirados, e que posteriormente o Espírito Santo também usaria pessoas para escrever outros livros inspirados narrando a história do início da Igreja, e que esses livros seriam considerados juntamente com o cânon judaico a única e verdadeira Palavra de Deus escrita. Os cristãos amam essa Palavra, e a lêem porque a consideram como a verdade escrita de Deus. Não admitimos que outros livros além dos 66 sejam parte dessa verdade.

• Todavia, o Catolicismo Romano apregoa que à verdade escrita de Deus, a Bíblia, faz parte da Tradição Apostólica, a qual é definida pelo Catecismo Católico da seguinte forma:

• A Tradição Apostólica é a transmissão da mensagem de Cristo, realizada desde as origens do cristianismo, mediante a pregação, o testemunho, as instituições, o culto, os escritos inspirados. Os Apóstolos transmitiram aos seus sucessores, os bispos, e, através deles, a todas as gerações até ao fim dos tempos, tudo o que receberam de Cristo e aprenderam do Espírito Santo. A Tradição Apostólica realiza-se de duas maneiras: mediante a transmissão viva da Palavra de Deus (chamada também simplesmente de Tradição) e através da Sagrada Escritura que é o próprio anúncio da salvação feito por escrito. A Tradição e a Sagrada Escritura estão em estreita ligação e comunicação entre si. Com efeito, ambas tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo e provêm da mesma fonte divina: constituem um só sagrado depósito da fé, de onde a Igreja haure a própria certeza acerca de todas as coisas reveladas.” – Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, questões 12-14, páginas 23, 24, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2005.

• Conforme observamos, segundo o Catecismo Católico Romano, os escritos inspirados fazem parte da Tradição Apostólica, pois ela “se realiza de duas maneiras: mediante a transmissão viva da Palavra de Deus (chamada também simplesmente de Tradição) e através da Sagrada Escritura que é o próprio anúncio da salvação feito por escrito.” Será que a Bíblia ensina a existência de tal Tradição oral (transmissão viva)? Vejamos:

• “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” – 2 Tessalonicenses 2:15.

• Quando católicos romanos usam esse texto para provar a existência de uma Tradição Apostólica que validaria as crenças e ensinos católicos extra-bíblicos, precisamos raciocinar com eles da seguinte forma: Enquanto o cânon do Novo Testamento não estava pronto, evidentemente tais tradições se baseavam nos ensinos do próprio Jesus Cristo, e em algumas epístolas (cartas) inspiradas por Deus, enviadas às igrejas e a homens cristãos. Por isso lemos a seguinte explicação sobre o que seria essa tradição usada por Paulo na carta aos tessalonicenses:

• “A tradição a que Paulo se refere é aquela que foi “transmitida” (literalmente “ensinada”) aos tessalonicenses “…por palavra … por epístola nossa.” (2.15) Isso se refere ao ensinamento ministrado durante sua primeira visita e à primeira carta, e talvez também ao conteúdo desta segunda carta. Os tessalonicenses foram rápidos ao receberem o evangelho de Paulo e seu subseqüente ensino (1 Ts 2:13; 4:1, 6; 5:2; 2Ts 1:10; 2:5) Sem um corpo padrão de doutrina cristã e ética, o cristianismo teria sido condenado ao sincretismo. O evangelho teria sido diluído por inserções pagãs, até que o que resultasse não fosse mais o verdadeiro evangelho (Gl 1:6, 7). Por não terem o Novo Testamento escrito, o perigo da entrada de heresias era constante, sendo necessário um forte apelo à tradição.” – Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, página 1426, 2a. Edição 2004, CPAD.

• Assim, essa tradição apostólica, ou instrução vinda dos apóstolos, era uma forma de combater heresias e firmar a Igreja de Cristo na Palavra já escrita, que por fim constituiria o cânon do Novo Testamento. Então podemos dizer que havia uma tradição, mas baseada na doutrina de Cristo, transmitida aos apóstolos. Todavia, Paulo, na mesma segunda carta aos tessalonicenses (2:2, 3) mostrou sua preocupação em que aqueles cristãos não fossem enganados. Por isso, aquela tradição, sempre baseada na Palavra de Deus já escrita e nas doutrinas de Cristo, visava conter a apostasia, as heresias, as quais poderiam tornar o cristianismo sincretista, ou seja, repleto de doutrinas e costumes pagãos. Portanto, a tradição (oral) serviu de instrumento de Deus na instrução dos cristãos daqueles idos para evitarem a contaminação de ensinos de demônios, os quais poderiam invalidar, na vida de muitos, o real teor do evangelho de Cristo, por ofuscar e diminuir de várias formas a pessoa de Jesus, tão claramente ensinado nas Escrituras como Deus, Senhor, Salvador exclusivo e suficiente de nossas vidas.

• Perguntamos, então, aos nossos queridos católicos romanos: A suposta “Tradição Apostólica”, por vocês ensinada, confirma ou anula as Escrituras, ratifica ou retifica a Palavra de Deus, vai ao encontro ou de encontro à sã doutrina? Em primeiro lugar, já temos o cânon bíblico completo, incluindo o Novo Testamento, por isso, não precisamos de Tradições como antes fora necessário. Em segundo lugar, a Tradição que os católicos romanos ensinam não mais apostólica, pois ela anula, retifica (corrige) e vai de encontro (choca-se) à Bíblia. Segue-se o seguinte questionamento:

• 1. Se a Bíblia diz que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1 Timóteo 2:5), a Tradição Romana ensina que Maria é mediadora entre Jesus (que é Deus) e os homens. Ou seja, o pecador pede para Maria pedir para Jesus para pedir para o Pai, como se o Todo-Poderoso Jesus Cristo, onisciente, onipresente e onipotente precisasse de sua mãe para lhe servir de secretária, quando não de advogada adjunto a Cristo. Se Jesus é o único por que rebaixá-lo por ensinar que há outros que fazem também o papel dele? Onde a Bíblia ensina isso?

• 2. Se a Tradição apregoada pela Igreja Católica Romana constitui com a Bíblia um só depósito da fé, como admitir uma tradição que ensina um purgatório para purificar os pecados dos quase-salvos, se a Bíblia, além de não ensinar tal local, afirma que o sacrifício de Jesus é suficiente para purificar os nossos pecados? (1 João 1:7) E como ter umasó fé (Efésios 4:5) se ao mesmo tempo que a Bíblia ensina que só Jesus salva (Atos 4:12), a Tradição Romana afirma que os sacramentos também salvam? veja:

• “Os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é concedida a vida divina. São sete: O Batismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Unção dos enfermos, a Ordem e o Matrimônio.” – Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, questão 224, página 76, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2005.

• Como então afirmar que a Bíblia Sagrada e a Tradição Romana são um só depósito de fé, se a fé cristã é cristocêntrica ao declarar Jesus Cristo suficiente para nossa salvação? Não precisamos de nenhum desses sete sacramentos para obtermos a vida divina.
Conclusão

• Tantos outros exemplos poderiam ser citados para provar que a Tradição Católica Romana está longe de ser cristã e bíblica, devido a terríveis heresias introduzidas ao longo da história. Aos católicos sinceros, nosso lamento, pois infelizmente aprenderam a dividir sua fé em Cristo com tantos personagens, inclusive com a sua mãe, Maria, a quem tanto amamos pelo exemplo deixado. O mesmo amor que temos pela Bíblia, os padres, bispos e o próprio Papa têm pela tradição. Enquanto usamos a Bíblia para fundamentar nossa fé, usam a Tradição para fundamentar a deles. Pior do que isso, o Catolicismo Romano assim se expressou no Concílio Vaticano II:

• “Pela mesma Tradição.., as próprias Sagradas Escrituras são nela [na tradição] cada vez melhor compreendidas e se fazem sem cessar atuantes» (Constituição Dogmática «Dei Verbum — § 8).

• Em vez de o Espírito Santo ser quem nos ensina a compreender melhor as Sagradas Escrituras, para o Catolicismo Romano seria a Tradição a responsável por isso. Só nos resta orar pelos católicos sinceros a renunciarem essas crenças que invalidam a Palavra de Deus. Quem se alegra com isso é Satanás, personagem real que sempre desejou dar um golpe fatal na Bíblia através de seus agentes humanos.

(Fernando Galli)

Créditos: http://iacs33.blogspot.com/